Crônicas de conteúdo histórico-cultural sobre artistas, personalidades, políticos e acontecimentos em Duque de Caxias, RJ, projeto concebido pelos jornalistas Alberto Marques e Josué Cardoso.

terça-feira, novembro 25, 2008

O “PÓ DE BROCA” E O FIM
DA CIDADE DOS MENINOS

Este é um excerto de um extenso trabalho do técnico Oswaldo Marques, do IBAMA, sobre a origem e os problemas decorrentes do abandono, em 1955, pelo Ministério da Saúde, de um depósito do inseticida “HCH”, conhecido popularmente como “Pó de Broca”, por ter sido utilizado, pelo Ministério da Agricultura nos anos 50 para o combate à “Broca do Café”, especialmente no Paraná. Oswaldo Marques integra uma equipe multidisciplinar constituída pelo IBAMA para estudar, a pedido do Ministério da Saúde, uma solução que permita a recuperação de uma área de cerca de 20 quilômetros quadrados, na divisa de Duque de Caxias com Nova Iguaçu, conhecida como “Cidade dos Meninos”, onde funcionava um Patronato da Fundação Abrigo do Cristo Redentor, criado por Da. Darcy Vargas em 1943. Nos anos 60, a “Cidade dos Meninos” chegou a dispor de 25 oficinas profissionalizantes e até de uma banda, que tinha entre seus músicos o renomado ortopedista Iveraldo Pessoa de Carvalho, ex-Secretário de Saúde de Duque de Caxias.
A divulgação desse trabalho visa restabelecer uma saudável discussão em torno de um problema de Saúde Pública, que afeta a vida de mais de 6 mil famílias que vivem em torno da Cidade dos Meninos.


EXPOSIÇÃO A RISCOS QUÍMICOS
Estudo de remediação de área degradada
A Cidade dos Meninos é uma área de 1900 hectares (19 km²), de propriedade federal, hoje sob a responsabilidade patrimonial do Ministério de Previdência Social. Fica situada na localidade de Pilar, Distrito de Campos Elíseos, Município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Estado do Rio de Janeiro (no km 12 da antiga Estrada Rio - Petrópolis).
A Baixada Fluminense é uma área plana, cortada por uma bacia formada por 35 cursos hídricos de varáveis vazões. Tem, ainda que em alguns pontos, área aterrada, que margeia o fundo da Baía de Guanabara. Era uma zona endêmica de malária no começo do século XX, final do século XIV. Os registros de epidemias na região começam mais precisamente em 1888, e vem acompanhada de um aumento vertiginoso da densidade demográfica, afetando sua população, inicialmente formada por negros, ex-escravos, que libertos pela Lei Áurea, foram abandonados à própria sorte, indo morar nos manguezais locais, a fim de obterem sua sobrevivência com a extração de lenha. Teria começado então, com a devastação das matas e erosão de solos, a proliferação do mosquito vetor da malária. Em função da extensão do problema, o Governo federal da época, buscou um atendimento emergencial com obras de saneamento básico, iniciadas em 1916 e que prosseguiram com obras rodoviárias, aterro e retificação de rios pelas décadas de 20, 30, 40 e 50.
Até 1950, período que marca o amadurecimento do processo de industrialização brasileira, a Baixada Fluminense se tornara uma área rural, de produção de cítricos, tendo se transformado, após aquela década, em zona industrial da área metropolitana do Rio de Janeiro. Composta por oito municípios (São João de Meriti, Queimados, Belford Roxo, Nova Iguaçu, Nilópolis, Guapimirim, Magé e Duque de Caxias, o maior de todos eles).
As cidades da Baixada ficaram conhecidas como “cidades-dormitório”, ocupadas predominantemente por loteamentos clandestinos, de moradia da população pobre, oriunda de migrações internas, uma população que trabalha na metrópole do Rio de Janeiro. É uma zona densamente povoada (2.028.252, segundo dados do IBGE para 1996), de intensa violência e onde faltam serviços públicos básicos (saneamento, escolas, pavimentação de ruas, hospitais – há 1 hospital de atendimento básico para cada 40 mil pessoas - etc. )
Foi lá que, em 1943, a então primeira-dama brasileira, D. Darcy Vargas, criou, na antiga Fazenda São Bento, oriunda de uma antiga sesmaria, um projeto de albergue para meninas desvalidas, a Cidade das Meninas: Nela forma construídos pavilhões para moradia, escolas, cursos profissionalizantes. À medida na qual as meninas se tornassem adultas, obteriam casas, possivelmente ali mesmo. e seriam o núcleo de novos grupos de 20 meninas cada (BRAGA, 1996).
Em 1946, o país sob outra presidência, a Cidade das Meninas foi transferida para a Fundação Abrigo Cristo Redentor. A instituição passou a ser só para meninos e novos pavilhões foram construídos (padarias, escolas de pesca, oficinas de marcenaria, cestaria, mecânica, vassouraria, etc) para a educação profissionalizante de meninos e rapazes que lá residiam em regime de internato. Havia ainda horta, pomar, avicultura, suinocultura, bovinos, não apenas para treinamento dos alunos, como para a sua própria alimentação. Além dos quatro institutos que abrigavam as crianças, havia ainda na Cidade dos Meninos mais duas escolas, uma da rede estadual e outra da rede municipal, que atendiam não apenas às crianças internadas, mas também aos filhos dos funcionários que lá moravam.
Em 1949, Mário Pinotti, diretor do antigo Serviço Nacional de Malária do então Ministério da Educação e Saúde solicitou o uso de metade da Cidade dos Meninos para instalar o Instituto de Malariologia e ganhou inicialmente 8 pavilhões, utilizados para biotério, necrotério, laboratório, restaurante e administração do Instituto.. Naquele mesmo ano de 1949, um químico holandês, Henk Kemp, detentor do processo industrial de fabricação de HCH por catálise química a baixa temperatura (OLIVEIRA, 1994; BASTOS, 1999), visitando a Cidade dos Meninos, sugeriu a Mário Pinotti para que ali produzisse o vulgarmente denominado “pó-de-broca”, ou hexaclorociclohexano (HCH), incorretamente referido pela população local como BHC (hexacloreto de benzeno), um composto estável, isômero alfa do HCH, segundo (BASTOS, 1999). O HCH é um pesticida, da classe dos organoclorados, isolado por Faraday em 1825. Teve suas propriedades inseticidas descobertas em 1942, na França e na Inglaterra, segundo biografias, nos laboratórios Rhodia. Seu isômero, gama-HCH recebeu o nome de Lindano. O gama-HCH, ou Lindano é um inseticida de amplo espectro usado para tratamento de sementes, do solo, aplicações sobre folhas, em florestas, material orgânico guardado, em animais e na saúde pública. Seu uso tornou-se restrito em alguns países e totalmente proibido em outros, como no Japão, desde 1971. No Brasil, teve sua utilização na agricultura proibida por Portaria Ministerial de 1985, mas continuou sendo utilizado em campanhas de saúde pública, na tentativa de erradicação e/ou controle de vários vetores de doenças transmissíveis e endêmicas (MELLO, 1999), sendo por fim proibido.
Em 1950 a fábrica de HCH foi então inaugurada dentro da Cidade dos Meninos, utilizando como matérias primas o benzeno, fornecido pela Companhia Siderúrgica Nacional, de Volta Redonda, e o cloro, fornecido pela Companhia Eletroquímica Fluminense, de São Gonçalo, ambas no Estado do Rio de Janeiro. Além do HCH, a fábrica também desenvolvia pesquisas com outros pesticidas w suas aplicações, principalmente na área do controle de endemias, como o arsenito de cobre, também conhecido como Verde Paris e o triclorobis (clorofeniletano) ou DDT. (MELLO, 1999). A partir de 1956 a fábrica, que passara a se chamar “Fábrica de Produtos Profiláticos”, produziu, até seu fechamento em 1960.
Seus produtos: pasta de DDT; pasta de BHC (isômero alfa, enriquecido com gama-HCH); emulsionáveis – DDT; mosquicidas – DDT + Lindano ou (gama-HCH); rodenticidas, composto 1080 (monofluoracetato de sódio) e cianeto de cálcio. (MELLO, 1999).
Portanto, a partir de 1950, quando ali se instalou o Instituto de Malariologia e sua fábrica de pesticidas, a Cidade dos Meninos passava a ter várias categorias de habitantes:
A hoje chamada, população vitimada:
Menores sob tutela do Estado;
Moradores - ocupantes de área federal, quer sejam pertencentes a famílias remanescentes de funcionários, uns negando a contaminação, outros buscando indenizações e apoio médico;
Trabalhadores e ex-trabalhadores da fábrica de pesticidas que ali foi instalada;
Funcionários dos Ministérios da Saúde e da Previdência Social;
Administradores federais do campo assistencial dedicado à infância carente
Os meninos, abrigados nos quatro Institutos e que estudavam nos pavilhões profissionalizantes e nas escolas públicas – municipal e estadual -; os funcionários da Cidade dos Meninos, encarregados do cuidado destas crianças; os funcionários federais de saúde, do Instituto de Malariologia/Fábrica de Produtos Profiláticos, cujas famílias ocupavam casas a eles cedidas. Os filhos de todos estes funcionários que também estudavam nas escolas públicas ali situadas.
Contudo, por volta de 1955, o funcionamento da fábrica tornou-se antieconômico, em razão de dificuldades de obtenção de matéria prima e da concorrência de empresas paulistas, a princípio a Rhodia e logo após Shell e Bayer, segundo (MELLO, 1999, OLIVEIRA, 1994). Em 1961, a fábrica cessou definitivamente suas atividades, deixando um estoque de 240.760 de iscas rodenticidas (valor estimado segundo registros de produção / consumo); 112.407 litros de Triton X-151, um detergente potentíssimo; 109 tambores de Xilol, e “grande quantidade de resíduos de produção”, sendo estes Pó anti-Culex (“BHC”). Tais quantitativos encontram-se contidos no Relatório final de gestão, elaborado pelo Sr. Diretor, o então Brigadeiro médico Dr. Bijos, apud MELLO, 1999).
Um estudo da FEEMA – Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - estipulou em 300 toneladas a quantidade de resíduo direto.
Segundo relato dos moradores, a fábrica abandonada foi sendo depredada com o tempo e os tonéis de papelão nos quais o chamado BHC estava acondicionado se romperam e o pó foi se infiltrando pelo solo onde os animais pastavam. A população local deu diferentes usos ao material abandonado: Foi usado domesticamente para matar piolhos e como inseticida de casas e quintais; foi também utilizado como pavimentação da estrada interna; o pó-de-broca era também recolhido do chão pelos moradores e vendido nas feiras livres locais.
Em 1987 o então Presidente José Sarney assinou decreto incorporando a Fundação Abrigo Cristo Redentor à Legião Brasileira de Assistência, o que levou à aposentadoria de muitos funcionários da Cidade dos Meninos. Como conseqüência, para defender os direitos de permanência de cerca de 40 funcionários aposentados, que iriam ser despejados de suas casas, foi fundada a Associação de Moradores e Amigos da Fundação Abrigo Cristo Redentor (Cidade dos Meninos).
Em 1990, já no contexto das discussões preparatórias para a UNCED (United Nations Conference for Environment and Development – ou Rio 92), a Defesa Civil do Rio de Janeiro e FEEMA foram à área. Alguns moradores começaram a se queixar de doenças provocadas pela exposição ao pó-de-broca. Descrevemos a seguir, doenças associadas e seus efeitos, não só a humanos, assim como a outros espécimes do reino animal, incidentes na região.
Em 1993 os Institutos da Cidade dos Meninos, já bastante esvaziados, foram interditados pela Juíza da Infância e Adolescência, Maria Luíza Miguel, da Comarca de Caxias, com base em laudo da Fundação Oswaldo Cruz sobre a contaminação do sangue das crianças por BHC. Teria sido, segundo moradores, uma atuação prejudicial, pois só incidiu sobre poucas crianças internas, mas provocou o fechamento também das escolas municipal e estadual, fazendo com que os filhos das famílias remanescentes não mais tivessem onde estudar.

PROJETOS INICIAIS DE REMEDIAÇÃO
Havia, na época, vários projetos grandiosos para a área, que é natural e muito bonita. A então primeira-dama, Rosanne Collor, à frente da LBA – Legião Brasileira de Assistência, resolvera implantar na Cidade dos Meninos o “Projeto Minha Gente”, que contaria com 60 mil casas populares, shopping rural, piscina, etc, enquanto que o político Moreira Franco, candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro, prometia ali a construção de uma represa. Promessas que seriam os embriões das ações do PAC do atual governo e as quais achamos estejam ligadas às ações de remediação da contaminação presente.
As tentativas de solução

Em 1995, a Nortox Agroindústria do Paraná, contratada pelo Ministério da Saúde (Ministro Adib Jatene), foi à Cidade dos Meninos, derrubou o esqueleto da fábrica e derramou cal (hidrato de carbono) por sobre a área onde anteriormente se erguia a Fábrica de Produtos Profiláticos, na tentativa de neutralizar o pó-de-broca. Segundo depoimentos de moradores, uma pá mecânica deslocou o pó-de-broca formando um monte de 10 metros de altura, o correspondente a 8 carretas ou 140 toneladas, e jogou cal por cima. O efeito desta “solução” foi muito ruim, pois fez produzir fenóis como reação, impedindo a adoção de uma nova solução, tida como a mais adequada, que seria a bioremediação. (OLIVEIRA, 1994, apud BASTOS, 1999). A conclusão da pesquisa de Bastos é peremptória: o tratamento químico utilizado para a descontaminação foi ineficaz, pois os compostos organoclorados inicialmente presentes lá permanecem em concentrações elevadas. Além disso, a área contaminada foi aumentada em 16 vezes. A pesquisadora alertava também para a hipótese de, através da degradação química do HCH, triclorobenzenos formarem dioxinas, composto já identificado nas amostras de solo da região.
Em 1999, a área onde ficava a fábrica, foi cercada e lá colocado um cartaz proibindo a entrada e dizendo ser uma “área em processo de descontaminação”] (Eu pessoalmente posso afirmar que o acesso ao local É LIVRE. Sem nenhum impedimento por parte de quem quer que seja, transitei LIVREMENTE pelo local, á época SEM O MENOR CONHECIMENTO DO CORRIDO (SETEMBRO/2008) e em momento algum fui questionado sobre qualquer coisa. O transito na área é livre e serve para encurtar o caminho entre a Av. Presidente Kennedy e a faixa de dutos da Servidão PETROBRÁS – ORBEL no Parque Capivari. As autoridades passaram a cogitar em deslocar as famílias que moram a menos de 100 metros do foco de contaminação, definido como sendo a área cercada, mas elas recusavam-se a fazê-lo.
Em 1996, a Micro-Bac do Brasil, empresa supostamente ligada à multinacional Bayer, anunciou a possibilidade de acabar com o BHC pelo processo de bioremediação, utilizando-se de uma bactéria marinha - a rhodospirillaceae, procedimento que não foi aventado como solução, mas que no momento, será o ponto de partida de nossos estudos. Não considero a bioremediação um fator a não ser considerado. No início dos anos 80, à frente da Divisão de Defensivos Agrícolas desta multinacional, tive acesso a diversos estudos de Biodefensivos, muito embora estes estivessem mais intimamente ligados ao controle de pragas na lavoura. Não descarto jamais está possibilidade a optar pela simples “transferência de contaminação” que é para mim o princípio do encapsulamento. Fica ainda a questão: Como regenerar as águas subterrâneas? Pretendo utilizar-me de estudos da Shell no caso de Paulínia em 1996 e em tecnologia hoje utilizada pela Marinha do Brasil para suprimento de tripulação em longos deslocamentos, princípio consagrado cientificamente como “osmose reversa”. Nosso maior e principal objetivo será a utilização da área para atividade de re-plantio de mudas nativas indicadoras da saúde do solo, assim como da água. Neste sentido, buscaremos parcerias com o Instituto de Florestas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Na impossibilidade de determinação de espécimes da flora e da fauna nativas como indicadores da BOA SAÚDE daquele BIOMA, estaremos, aí sim, nos fazendo valer de estudos paralelos para o encapsulamento. Devo lembrar que a ABNT determina para o concreto vida útil na faixa de 50 anos. Quando então deveremos, no mínimo, iniciar programa de manutenção preventiva para as “cápsulas”. Como estudioso e pesquisador, sem o condão de querer polemizar, questiono aos Senhores. – O que desejamos fazer com a Cidade dos Meninos? Resolver definitivamente e de forma técnica e adequada à questão ou postergar o problema para nossos bisnetos?
Ao analisar friamente e tecnicamente o caso, concluo:
Ocorreram uma série de esboços de iniciativas governamentais e não governamentais inadequadas e inoperantes. Promovidas por pessoas acredito mais bem intencionadas do que legitimamente técnicas. Por uma terceira perspectiva, há empresas mencionadas – Bayer, Microbac – com diferentes metodologias de solução à disposição, mas devemos conhecer ainda seus custos, sem preocupação, mas preponderantemente sua exeqüibilidade na efetiva VONTADE de se envolver na solução da questão. Está será a resposta a uma equação pendente ao longo de cerca de 50 anos.
Sem querer defender as autoridades federais, podemos supor que seria lógico ter um Instituto de Malariologia situado na zona endêmica que era a Baixada Fluminense. Poderíamos também lembrar que, nos anos 50, a descoberta química dos pesticidas constituiu o que se chamou de Revolução verde, tida literalmente como “a salvação da lavoura”. Sua toxidez ainda não era conhecida. E, sendo então um único ministério – de educação e saúde, pode ter parecido como a solução mais fácil que o Instituto de Malariologia fosse instalado em terras já do próprio ministério.
Sem querer me ater a qualquer estudo sociológico, não podemos deixar desprezar que a bioremediação, no caso em tela, se possível e tecnicamente viável, o seria socialmente imensamente favorável, senão vejamos: O caso da Cidade dos Meninos contraria a literatura sociológica sobre locais quimicamente contaminados. Geralmente nestes casos, a população busca meios para sair do local (LEVINE e GIBBS, 1998, sobre Love Canal para citar como exemplo). Na Cidade dos Meninos, não apenas a população quer ficar, mas outros querem ocupar a área, razão apresentada para a presença de segurança armada e ostensiva. Também nos casos registrados pela literatura, geralmente o cientista que minimiza o problema ou está contra os moradores, a serviço da parte contrária, as empresas, ou estes lhe são indiferentes. Mas no caso da Cidade dos Meninos ouvi tais comentários de cientistas que estão do lado dos moradores. E isto porque se, por um lado, ser categorizada como contaminada, favorece a população que passa a poder pleitear indenizações e assistência médica, por outro, pode vir a ser o pretexto suficiente para que a área seja evacuada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BASTOS, Lúcia Helena Pinto. (1999). “Investigação da contaminação do solo por organoclorados na Cidade dos Meninos, em Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Avaliação dentro de um novo cenário, após adição de cal”. Dissertação para obtenção do título de Mestre em Ciências na área da Saúde Pública. Rio de Janeiro, Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz.
BIJOS, G. M. (1961). “Cinco anos entre os sanitaristas”. Revista de Química e Farmácia, 26 (6):13-79.
BOURDIEU, P. (1989). Poder Simbólico. Lisboa: Difel.
BRAGA, Ana Maria Cheble Bahia. (1996). “Contaminação ambiental por hexaclorociclohexano em escolares na Cidade dos Meninos, Duque de Caxias, Rio de Janeiro”. Dissertação para obtenção do título de Mestre em Ciências na área da Saúde Pública. Rio de Janeiro, Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz.
BULLARD, Robert D. (1990) Dumping in Dixie: race, class and environmental quality. Boulder, Westview Press.
CAMACHO, D. (1998) (Ed.) Environmental injustices, political struggles: race, class and the environment. Durham/London, Duke University Press.
CECAB/FEEMA (1991) Dossiê “BHC abandonado na Cidade dos Meninos, Município de Duque de Caxias, RJ.
ERMEL, Luíza Helena Nunes et alli. (1997). “Análise das representações práticas relativas ao trato com o contaminante, crenças e costumes na Cidade dos Meninos, Duque de Caxias – Rio de Janeiro”. Relatório de pesquisa. PUC/Núcleo de Estudos de Exclusão Social. Rio de Janeiro, 68 pgs.
FEEMA – Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente – (1989). “Relatório Técnico “BHC” Cidade dos meninos – Duque de Caxias”.
FEEMA. (1990). Relatório de reunião sobre o BHC na Cidade dos Meninos.
FREITAS, C. M. (1996) Acidentes químicos ampliados - incorporando a dimensão social nas análises de riscos. Tese de doutoramento apresentada a ENSP/FIOCRUZ, Rio.
GIBBS, Lois M. (1998) Love Canal. 20th anniversary revised edition. Gabriola Island, New Society Publishers.
GOULD, K. et al. Local environmental struggles:citizen activism in thetreadmill of production. Cambridge University Press, 1996.
HERCULANO, S. “Justiça Ambiental: de Love Canal à Cidade dos Meninos, em uma perspectiva comparada. Justiça e Sociedade: temas e perspectivas. Marcelo Pereira de Mello (org.). São Paulo: LTR, 2001, pp. 215 – 238.
LEVINE, A. (1982) Love Canal: Science, Politics and People. Lexington: Lexington Books, 1982
McAVOY, Gregory A. (1999)Controlling Technocracy:citizen rationality and the nimby syndrome. Washington:GeorgetownUniversity Press.
MELLO, Jaíza Lucena. (1999). “Avaliação da contaminação por HCH e DDT doe leites de vaca e humano provenientes da Cidade dos Meninos, Duque de Caxias, RJ”. Dissertação para obtenção do título de Mestre em Ciências na área da Saúde Pública. Rio de Janeiro, Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz.
MENEZES, L. (2002) Internalizando as externalidades: a perspectiva neoclássica. Herculano, S. Meio ambiente: questões conceituais. Niterói. UFF/PGCA, pp. 41 - 52.
OLIVEIRA, Rosália Maria de. (1994). “Estudo da contaminação do solo e pasto causada por hexaclorociclohexanos (HCH) na Cidade dos Meninos em Duque de Caxias, RJ”. Dissertação para obtenção do título de Mestre em Ciências na área da Saúde Pública. Rio de Janeiro, Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz.
PEIXOTO, B. Helena. (1990). “Pó de broca: grande imprensa e comunicação popular. Como atuaram na formação da consciência ecológica?” Monografia da Conclusão do Curso de Jornalismo. Rio de Janeiro, UERJ.


PORTO, Marcelo Firpo de Souza. (2000) “Considerações sobre a dinâmica de regulação dos riscos industriais e a vulnerabilidade da sociedade brasileira”. Qualidade de vida e riscos ambientais. Selene Herculano eta al (orgs.). Niterói, EDUFF, pp. 147 - 170.
RUSCHI, A. (1950) “O emprego do BHC e suas conseqüências para o patrimônio natural”. Boletim do Museu de Biologia Prof. Mello Leitão, Santa Teresa, Espírito Santo, Série proteção à Natureza.
WHO/IPCS - World Health Organization/International Programme on Chemical Safety. Lindane (gamma- HCH) health and Safety Guide. Health and Safety Guide nº 54.
TAYLOR, B.R. (ed.) (1995). Ecological resistance movements: the global emergence of radical and popular environmentalism. Albany: State University of New York

Agradecimentos especiais:
Profra. Selene Herculano;
CETESB, Div. Técnica;
Bayer do Brasil, divisão de Defensivos Agrícolas;
Sr. Otto Voswinkell – Diretor da Divisão WI da Bayer, Fábrica de Belford Roxo;
Antonio José de Sá Freire de Gonçalves Torres, UFRJ/FEEMA;
Prof. Dr. Weber – Diretor do IF da UFRuRJ;
Jornalista Alberto Marques – Pesquisador.

PALAVRAS DO AUTOR

Este trabalho é um desafio eletrizante. Em minha modesta carreira profissional, e principalmente como pesquisador, hoje ligado ao IBAMA, em outros momentos junto ao IME, INT, CENPES e IPT, ainda não havia encontrado desafio tal.
Minha proposta, como ambientalista acima de tudo, não é de bioremediação e sim de bioregeneração. Regeneração do espaço. Regeneração dos personagens hoje envolvidos. Regeneração da fé pública de que, como já fora dito sobre o caso, os chamados “Poderes da ciência” (referindo-se aos colegas que na busca de uma remediação, tentaram o emprego de técnicas que simplesmente não deram certo), são profissionais sérios que enfrentando uma contaminação sui generis procuraram uma saída. Erraram tentando, não conjecturando. Quanto ao poder público não me referirei. Se nós, técnicos não apresentarmos as soluções, os burocratas, incumbidos de suas funções o que poderão fazer ?
Minha proposta para a Cidade dos Meninos, vislumbrará um trabalho de regeneração de área degradada, jamais de remediação. O projeto de meu grupo de trabalho, terá por objetivo tornar a Cidade dos Meninos não só dos meninos. Mas de toda a população daquela região. Nossa iniciativa visa tornar está área em “área de especial interesse ambiental” protegida, com o plantio de espécimes nativas, em especial eucalipto, de onde pretendo implantar ao término da regeneração um projeto para a reciclagem, sem queima, da madeira, não só produzida na Cidade dos Meninos, mas também aquela que hoje se acumula nos lixões, inclusive no de Duque de Caxias. Nossa idéia é produzir chips de madeira, casca, substrato orgânico para elementos decorativos e para a fertilização de plantações orgânicas.
Este é o nosso pensamento. Esta é a nossa proposta.

Oswaldo Marques.

5 Comentários:

Blogger Anderson Brandaõ. disse...

Vocês sabian que a familia de Manoel costa foi retirada do local e colocada em uma casa alugada em Duque de Caxias e seus donos ja estão pedindo a casa de volta por falta de pagamento do governo ???

2:22 PM, dezembro 16, 2008

 
Anonymous Anônimo disse...

É rapaz que coisa hein.. É quase igual ao caso do Césio lá em goiania.....

1:19 AM, janeiro 20, 2009

 
Anonymous Anônimo disse...

Será que essa contaminação ainda hoje afeta as atuais gerações no que se refere ao aprendizado escolar e a problemas neurológicos como epilepsia? É grande o número de alunos na rede pública local, próxima a área com probemas dessa natureza. Será que pode ser essa a razão, além das condições sociais em q vivem é claro??????

1:39 AM, julho 11, 2009

 
Anonymous Anônimo disse...

Será que essa contaminação ainda hoje afeta as atuais gerações no que se refere ao aprendizado escolar e a problemas neurológicos como epilepsia? É grande o número de alunos na rede pública local, próxima a área com probemas dessa natureza. Será que pode ser essa a razão, além das condições sociais em q vivem é claro??????

1:40 AM, julho 11, 2009

 
Blogger FABATISTA disse...

Já estive interno na Cidade dos Meninos em 1979 e 1980 aproximadamente! gostaria muito de voltar lá pra rever o ambiente. Hoje, moro em João Pessoa, Paraíba, há quase trinta anos. Se vc souber como encontrar informações do local ou e pessoas de lá, funcionários antigos etc. agradeço muito.

8:45 AM, agosto 07, 2010

 

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